O Brasil viveu no último final de semana um momento histórico no esporte com Lucas Pinheiro Braathen. O atleta de 25 anos venceu a prova do slalom gigante do esqui alpino, em Bormio, na Itália, e garantiu a medalha de ouro. Trata-se da primeira conquista olímpica do país — e também da América do Sul — em Jogos Olímpicos de Inverno.
Lucas Pinheiro Braathen nasceu em 19 de abril de 2000, em Oslo, na Noruega, e iniciou sua trajetória no esqui alpino ainda na infância. Antes disso, viveu por um período em São Paulo, onde sonhava ser jogador de futebol e era fã de Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho. Aos nove anos, decidiu experimentar o esqui a pedido do pai e encontrou nas montanhas o ambiente em que se sentia plenamente integrado, deixando o futebol para trás.
A evolução foi rápida: aos 14 anos, ingressou na equipe norueguesa de desenvolvimento e, aos 16, já era atleta federado junto à Federação Internacional de Esqui e Snowboard (FIS). Na temporada 2018/2019, conquistou prata no Super G e bronze no Combinado no Mundial Júnior. No circuito principal, estreou na Copa do Mundo e, em 2020/2021, venceu o slalom gigante em Sölden, na Áustria. Pouco depois, sofreu uma grave lesão nos joelhos, ficou oito meses afastado e retornou em 2021/2022 com vitória em Wengen.
Por que Lucas Pinheiro Braathen escolheu o Brasil
O auge pela Noruega veio em 2022/2023. Em 20 provas da Copa do Mundo, subiu ao pódio sete vezes e terminou entre os dez primeiros em 17 ocasiões, conquistando o título da temporada no slalom e seu primeiro “globinho de cristal”. Surpreendentemente, porém, anunciou aposentadoria aos 23 anos, antes da temporada 2023/2024, alegando divergências com a federação norueguesa sobre patrocínio e regras.
Meses depois, reconsiderou a decisão e optou por defender o Brasil. Com aval da Confederação Brasileira de Desportos na Neve (CBDN), alinhamento com patrocinadores e autorização da Noruega para a troca de cidadania esportiva, retornou às competições em 2024/2025. Logo na reestreia, obteve dois quartos lugares e conquistou seu primeiro pódio pelo país em Beaver Creek, além de outras quatro medalhas na temporada.
Na campanha seguinte, já com melhor posição de largada, consolidou-se entre os principais nomes do circuito. Antes da pausa para os Jogos Olímpicos de Inverno Milano Cortina 2026, somava 14 resultados entre os dez primeiros em 17 provas e cinco pódios, incluindo o ouro no slalom em Levi — a primeira vitória do Brasil em uma etapa de Copa do Mundo de esporte olímpico de inverno. Chega aos Jogos em alta, com nove provas consecutivas entre os cinco melhores.
Apesar de criado na Noruega, Lucas sempre manteve forte ligação com o Brasil, país de origem de sua mãe. O português foi sua primeira língua, passa férias frequentes no país, aprecia a cultura e é torcedor do São Paulo FC. Fora das pistas, também atua como modelo da marca italiana Moncler, participa de semanas de moda, desenvolve peças esportivas e até se apresenta como DJ em eventos ligados ao circuito internacional.
