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Argentina desafia o jejum de campeões de Copa neste século

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Repetindo vários dos mesmos atletas que estiveram presentes na conquista no Catar, a Argentina comandada por Lionel Scaloni chega aos Estados Unidos com expectativa de mais uma excelente campanha na Copa do Mundo.


Sucesso francês em 2018 já quebrou sequência negativa

Embora não tenha conseguido o troféu, batendo na trave na decisão contra a Argentina, a França já se mostrou um ponto fora da curva ao ser a primeira atual campeã a disputar a final seguinte no século XXI.

Nas três edições anteriores deste torneio, a seleção atual campeã havia falhado miseravelmente com chocantes eliminações na fase de grupos, caso da Itália em 2010, da Espanha em 2014 e da Alemanha em 2018. Neste sáculo, nenhum país conseguiu vencer duas vezes seguidas, incluindo o Brasil, que decepcionou como campeão defensor em 2006.

Por mais razoável que seja argumentar contra a expectativa de duas copas dominantes em sequência, essa sequência foi surpreendente, pois nem mesmo os torcedores mais pessimistas dessas seleções poderiam esperar desempenhos tão pífios.

A mudança de 32 para 48 participantes diminuiu incrivelmente qualquer tipo de risco que as grandes seleções encaravam na primeira fase, mas adicionou um jogo eliminatório para uma jornada que agora envolve oito compromissos para aqueles que chegam até a decisão.

Manutenção do núcleo vencedor pode ser bom ou ruim

Enquanto outras seleções candidatas ao título passaram por transformações mais profundas — algo natural dentro de um ciclo de quatro anos —, a Argentina leva novamente para a Copa um total de 17 jogadores que estiveram no plantel vencedor no Catar, incluindo 10 dos 11 titulares na final contra a França. A única exceção é Ángel Di María, que se aposentou da seleção.

Classificar esse fenômeno como indiscutivelmente positivo ou negativo ignora as especificidades de cada posição de uma maneira leviana. Quando se tem Lionel Messi, Julián Álvarez e Lautaro Martínez, o núcleo de seu ataque não tem como mudar muito. Talvez um jovem como Nico Paz pudesse já ter recebido mais espaço em outras circunstâncias, mas o seu tempo virá caso mantenha esse nível de ascensão.

O setor defensivo e o meio já apresentam uma seleção que aposta em nomes experientes, recuperando um nível de desempenho que não necessariamente apresentaram recentemente em seus respectivos clubes. Enzo Fernández é a exceção no auge de sua carreira, enquanto Alexis Mac Allister vem de um ano extremamente decepcionante no Liverpool e Rodrigo De Paul joga há um bom tempo no Inter Miami, atuando em um nível de competitividade bem diferente do que ele encarava no Atlético de Madrid.

Em setores nos quais Scaloni tinha a oportunidade de ser mais agressivo na renovação, acabou optando por nomes mais experientes, opção que deixou Marcos Senesi de fora da Copa, por exemplo. O ex-defensor do Bournemouth teve uma temporada melhor do que todos os outros zagueiros argentinos, mas foi preterido por Nicolás Otamendi. Christian Romero terminou a temporada lesionado e é mais um com quem a Argentina conta que retorne ao melhor nível nesta Copa.


Identidade de jogo bem estabelecida

Trabalhando para extrair o máximo do que tem à sua disposição, Scaloni entendeu bem rapidamente no comando da Albiceleste que o melhor dessa equipe está na capacidade do meio de reter a bola e controlar o ritmo de jogo e nas associações dos seus meias-atacantes e atacantes por dentro.

O fato da Argentina ir para a Copa sem muitos pontas de origem sequer é discutido porque não faz parte do seu estilo de jogo que já vem estabelecido há alguns anos.

A partida contra o Brasil nas Eliminatórias, o último jogo antes da chegada de Ancelotti, demonstrou um claro exemplo de como uma equipe não precisa empilhar atacantes para ser ofensiva. A Argentina engoliu o Brasil naquela ocasião, povoando o meio-campo e nem precisou de Messi, naquela ocasião indisponível, para golear por 4-1.

Falando no craque argentino, Messi provou em 2022, quando muitos já duvidavam de sua capacidade, que ainda poderia brilhar de maneira sublime no maior palco do futebol. Agora, pela primeira vez na carreira, o camisa 10 não chega para uma Copa com o peso do mundo sobre as suas costas, já em outra fase de sua carreira. Acompanhar o que Messi reserva para a sua sexta participação no Mundial será um dos grandes atrativos deste torneio.


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