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Shaquille O’Neal: o pivô que revolucionou a sua posição

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Anunciado como o novo Monster Vice President (MVP) da Sportingbet, Shaquille O’Neal foi muito mais do que apenas um jogador dominante da NBA. Com uma combinação rara de força física, tamanho e habilidade, ele redefiniu o papel do pivô e forçou a liga a se adaptar ao seu estilo de jogo. 

Desde o impacto visual dentro do garrafão até mudanças diretas nas regras, sua presença alterou a forma como o basquete profissional passou a enxergar a posição 5. A história de Shaquille O’Neal começa em 1992, quando o Orlando Magic o selecionou como a primeira escolha geral do Draft da NBA, após sua passagem pela LSU no basquete universitário. 

Desde o primeiro jogo, com seus 2,16 metros de altura e um físico muito acima da média, ficou claro que a liga lidaria com algo diferente. A NBA seguiu existindo, mas já não era mais a mesma.

Além disso, o impacto de Shaq não se limitou às estatísticas individuais. Ele influenciou a forma como as equipes montavam seus elencos, como defendiam o garrafão e até como o jogo era regulamentado. O Diesel marcou uma divisão clara entre o antes e o depois na maneira de compreender o papel do pivô.

Qual a função do pivô no basquete

Também chamado de posição 5 ou center, o pivô é tradicionalmente o jogador mais alto e forte da equipe. Sua importância se reflete tanto no sistema defensivo quanto na construção ofensiva do time, funcionando como um ponto de equilíbrio dentro de quadra.

Na defesa, o pivô costuma ser a última linha de proteção. É ele quem contesta arremessos próximos à cesta, tenta aplicar tocos e assegura os rebotes defensivos, evitando segundas chances do adversário. Por isso, sua leitura de jogo e posicionamento são tão importantes quanto sua estatura.

No ataque, o papel também é central. O pivô atua próximo ao aro, buscando rebotes ofensivos e finalizações de alta eficiência. Além disso, usa o corpo para selar defensores, criar espaços e facilitar arremessos para companheiros.

Como era antes de Shaq

A valorização do pivô sempre foi evidente na NBA. Um exemplo claro disso é o Draft de 1984, considerado um dos mais fortes da história. Naquela ocasião, Hakeem Olajuwon foi a primeira escolha geral do Houston Rockets, enquanto Sam Bowie saiu na segunda posição para o Portland Trail Blazers.

Esse contexto ganha ainda mais peso quando se observa que Michael Jordan foi apenas a terceira escolha e Charles Barkley saiu na quinta posição. Dois jogadores históricos ficaram atrás de pivôs, o que mostra como a posição era vista como essencial para o sucesso de uma franquia.

Quando Shaquille O’Neal chegou à liga, o cenário era dominado por nomes como o próprio Olajuwon e Patrick Ewing. Ambos eram pivôs técnicos, com repertório refinado de movimentos e grande inteligência tática. Eles venciam no detalhe, na técnica e no posicionamento, mais do que pela imposição física pura.

As mudanças que Shaquille O’Neal causou na NBA

Antes de Shaq, o pivô era o eixo do ataque, operando com paciência, quase como em um jogo de xadrez no garrafão. No entanto, ele chegou à NBA com cerca de 136 quilos distribuídos em um corpo de 2,16 metros (e ainda ficaria mais forte e pesado, com o tempo) e decidiu adicionar um novo elemento à posição: força bruta em nível extremo, sem abrir mão da coordenação.

Diferente de Olajuwon ou Ewing, que precisavam criar ângulos e deslocar defensores com movimentos técnicos, Shaquille O’Neal simplesmente enterrava por cima dos adversários. Essa abordagem direta e devastadora obrigou a liga a reagir rapidamente, pois os métodos tradicionais de defesa se mostraram insuficientes.

Reforço das tabelas

Logo em sua temporada de estreia, Shaquille O’Neal quebrou duas tabelas em enterradas violentas. Não foi um evento isolado, mas um sinal claro de que a estrutura física da liga não estava preparada para aquele nível de impacto. Em ambos os casos, as partidas ficaram paralisadas por longos minutos para a substituição do equipamento.

Diante disso, a NBA precisou reforçar as estruturas das cestas e alterar a forma de fixação dos aros. O objetivo era simples: evitar que jogos fossem interrompidos por danos causados por enterradas. Além disso, a liga passou a punir jogadores que se pendurassem no aro após a finalização, marcando falta técnica nessas situações.

A volta da defesa por zona

Sem dúvida, essa foi uma das mudanças mais profundas associadas ao impacto de Shaquille O’Neal. Para tentar conter sua dominância no auge, a NBA autorizou, em 2001, o retorno da marcação por zona, que havia sido proibida por décadas.

Com essa alteração, as equipes deixaram de depender exclusivamente da marcação homem a homem. A partir daí, tornou-se possível congestionar o garrafão, posicionando dois ou até três defensores próximos a Shaq. Ainda assim, mesmo com a mudança, conter sua força e eficiência seguiu sendo uma tarefa extremamente difícil.

A estratégia “Hack-a-Shaq”

Apesar de ser praticamente imparável próximo à cesta, Shaquille O’Neal tinha um ponto vulnerável: o arremesso de lance livre. Ao longo da carreira, ele converteu apenas 52,7% de suas tentativas, um número baixo para os padrões da liga.

Isso levou ao surgimento de uma estratégia específica, conhecida como Hack-a-Shaq. A ideia era simples: cometer faltas intencionais para tirá-lo da zona de conforto, evitar enterradas fáceis e forçá-lo a decidir nos lances livres. Embora eficiente em alguns momentos, a tática tornava os jogos mais truncados e menos fluidos.

Em 2016, a NBA passou a restringir esse tipo de falta. Desde então, infrações sem bola nos últimos dois minutos de cada quarto permitem que o time prejudicado escolha o cobrador do lance livre e ainda mantenha a posse de bola, reduzindo o uso desse recurso.

Shaquille O'Neal - MVP da Sportingbet

A evolução na posição de pivô

A posição de pivô nunca mais foi a mesma depois de Shaquille O’Neal. Inicialmente, sua influência gerou um efeito colateral. Muitas equipes passaram a buscar jogadores grandes e fortes, mesmo sem habilidade técnica, na tentativa de replicar seu impacto físico.

Esse período deixou claro como Shaq era único. Sua força era apenas uma parte do pacote. Ele também possuía coordenação, leitura de jogo e eficiência ofensiva em alto nível. Não por acaso, conquistou o prêmio de MVP da temporada regular e foi eleito três vezes MVP das finais, feitos que poucos jogadores alcançaram.

Com o tempo, a liga se ajustou novamente. Para superar a limitação dos pivôs unidimensionais, a posição evoluiu. Hoje, o center não pode ficar restrito ao garrafão. Exemplos atuais mostram jogadores capazes de passar, arremessar de média e longa distância e participar da construção ofensiva.

Assim, enquanto os pivôs da era pré-Shaq eram especialistas em movimentos próximos à cesta, o período pós-Shaquille O’Neal consolidou a ideia de versatilidade. O pivô moderno precisa correr, pensar o jogo e impactar em várias áreas da quadra, um legado direto deixado pelo jogador que mudou a posição para sempre.